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Pix para empresas: como funciona, tipos de QR Code, Pix Automático, MED 2.0 e o que vem por aí

Pix para empresas: como funcionam SPI e DICT, QR Code estático e dinâmico, Pix Automático, MED 2.0, limites, custos e conciliação via API, atualizado em 2026.

Pessoa aproximando o celular de um leitor de pagamento por aproximação
Foto: Jonas Leupe / Unsplash
Neste artigo
  1. Como funciona o Pix por dentro
  2. Tipos de QR Code Pix: estático, dinâmico e com vencimento
  3. Funcionalidades do Pix: do Pix Saque ao Pix Automático
  4. Segurança: MED, MED 2.0 e limites
  5. O Pix em números
  6. Quanto custa o Pix para empresas
  7. Conciliação via API Pix e webhooks
  8. Como integrar o Pix ao seu negócio
  9. Perguntas frequentes

O Pix é o sistema de pagamentos instantâneos criado e operado pelo Banco Central, que liquida transferências e compras em poucos segundos, 24 horas por dia, todos os dias. Para empresas, o Pix vai muito além da chave no balcão: inclui QR Code dinâmico com baixa automática, cobrança com vencimento, Pix Automático para assinaturas, pagamento por aproximação e uma API padronizada para conciliação. Este guia reúne como tudo isso funciona e o que mudou até outubro de 2026.

Resumo rápido

  • O dinheiro do Pix é liquidado no SPI, a infraestrutura do Banco Central; as chaves ficam no DICT.
  • Para vender, o QR Code dinâmico é o que permite baixa automática. Ele passou de 5% para 40% das transações entre 2021 e 2025, segundo o BC.
  • O Pix Automático existe desde 16 de junho de 2025 e é a forma de cobrar mensalidades sem boleto nem cartão.
  • O MED 2.0, obrigatório desde 2 de fevereiro de 2026, rastreia o dinheiro de golpes por várias contas.
  • O Pix Parcelado não virou produto padronizado do BC. O Pix em Garantia segue sem data.

Como funciona o Pix por dentro

Quatro peças sustentam o Pix:

SPI
Sistema de Pagamentos Instantâneos. É onde as transações são liquidadas, ou seja, onde o dinheiro efetivamente muda de dono. A liquidação acontece em contas que as instituições mantêm no próprio Banco Central, por isso não há risco de a instituição do pagador "ficar devendo" a do recebedor.
DICT
Diretório de Identificadores de Contas Transacionais. É a base que liga cada chave Pix a uma conta. Quando você digita uma chave, o app consulta o DICT e mostra o nome do recebedor antes de confirmar.
PSP
Prestador de serviços de pagamento: o banco, a instituição de pagamento ou a cooperativa que oferece o Pix ao cliente. Instituições com mais de 500 mil contas ativas são, em regra, obrigadas a participar.
Chave Pix
Apelido da conta: CPF ou CNPJ, e-mail, celular ou uma chave aleatória. Para empresas, a chave aleatória é a mais usada em cobranças, porque não expõe dados de contato.

No fluxo de uma compra, o cliente lê o QR Code ou informa a chave, o PSP dele consulta o DICT (quando precisa), autentica o cliente e envia a ordem ao SPI. O SPI debita a conta do PSP pagador, credita a do PSP recebedor e devolve a confirmação. O PSP recebedor credita a conta da empresa e, se ela usa API, avisa o sistema dela na hora. Para entender como uma instituição de pagamento difere de um banco nesse papel de PSP, vale ler o artigo dedicado.

Tipos de QR Code Pix: estático, dinâmico e com vencimento

O QR Code é só uma forma de transportar os dados do pagamento. O que muda entre os tipos é quanto controle a empresa tem sobre cada cobrança.

TipoComo éBom paraBaixa automática
EstáticoFixo, reutilizável, com ou sem valorBalcão simples, doações, adesivo no caixaNão: a conferência é pelo extrato
Dinâmico (cobrança imediata)Gerado para uma venda, com valor e identificador único (txid)E-commerce, PDV integrado, deliverySim, via API e webhook
Dinâmico com vencimento (Pix Cobrança)Tem data de vencimento e pode calcular juros, multa e descontoFaturas, mensalidades avulsas, substituição de boletoSim, via API e webhook

A cobrança com vencimento, chamada Pix Cobrança, existe desde 14 de maio de 2021 e é a alternativa direta ao boleto. Em setembro de 2026, a Resolução BCB 587 regulamentou a cobrança híbrida, documento que traz o código de barras do boleto e o QR Code do Pix lado a lado. As regras valem a partir de fevereiro de 2027 e exigem que, quando uma das formas for paga, a outra seja cancelada, para evitar pagamento em duplicidade.

Segundo o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, publicado pelo BC em agosto de 2026, o QR Code dinâmico saiu de 5% das transações em 2021 para 40% em 2025. É o sinal mais claro de que o comércio migrou do "manda o comprovante" para a conciliação automática.

Funcionalidades do Pix: do Pix Saque ao Pix Automático

Linha do tempo do Pix nov/2020 Pix entra em operação para todo o país mai/2021 Pix Cobrança: QR Code com vencimento, juros e multa nov/2021 Pix Saque, Pix Troco e MED (devolução em fraudes) out/2024 Pix Agendado Recorrente passa a ser obrigatório fev/2025 Pix por aproximação (NFC), via Open Finance jun/2025 Pix Automático para cobranças recorrentes out/2025 Botão de contestação (autoatendimento do MED) fev/2026 MED 2.0 obrigatório: rastreio em várias camadas out/2026 Aproximação deixa de ter teto fixo de R$ 500 fev/2027 Regras da cobrança híbrida (boleto + Pix) jul/2027 Pix Automático também em contas-salário em vigor já definido
Principais marcos do Pix, segundo normas e comunicados do Banco Central. Datas futuras já estão em norma publicada.

Pix Automático

Lançado em 16 de junho de 2025, o Pix Automático permite cobrar contas recorrentes (escola, academia, streaming, energia, condomínio) com uma única autorização do pagador. O cliente pode definir um valor máximo por cobrança, cancelar a qualquer momento e tem um limite próprio, separado do limite do Pix comum. Para o pagador é gratuito; a empresa recebedora pode ser tarifada pelo seu PSP. Só podem oferecer o Pix Automático empresas com CNPJ ativo há pelo menos seis meses.

Duas regras posteriores reforçaram o produto. As Resoluções CMN 5.251 e BCB 505, de setembro de 2025, determinaram que o débito automático entre instituições diferentes, quando o recebedor é pessoa jurídica, use o Pix Automático. E a Resolução BCB 587, de setembro de 2026, libera o uso em contas-salário a partir de 1º de julho de 2027. Em agosto de 2026, a versão 2.10.0 da API Pix trouxe ajustes na gestão de recorrências.

Pix por aproximação

Desde 28 de fevereiro de 2025, o cliente pode pagar encostando o celular no terminal, sem abrir o app do banco, por meio de carteiras digitais conectadas via Open Finance. Até setembro de 2026 havia um teto fixo de R$ 500 por transação. A Instrução Normativa BCB 746 retirou esse teto a partir de 1º de outubro de 2026: agora valem os limites que o próprio usuário configura no banco.

Pix Saque e Pix Troco

Disponíveis desde 29 de novembro de 2021, permitem que o comércio entregue dinheiro em espécie ao cliente, com ou sem compra junto. A adesão é opcional para o lojista, e as operações têm limites próprios definidos pelo BC. O uso ainda é pequeno: em setembro de 2026, foram cerca de 1,1 milhão de Pix Saque, segundo os dados abertos do BC.

Pix Parcelado e Pix em Garantia: o que é fato

O BC chegou a planejar um Pix Parcelado padronizado, em que o pagador tomaria crédito e o lojista receberia o valor integral na hora. Depois de sucessivos adiamentos, o BC informou no Fórum Pix de dezembro de 2025 que não vai regulamentar a modalidade e vetou o uso desse nome. O que existe hoje são produtos de crédito de cada instituição ("parcele no Pix"), com regras e juros próprios.

O Pix em Garantia, que permitiria usar recebimentos futuros via Pix como garantia de crédito, aparece na agenda do BC para 2027 em diante, condicionado à disponibilidade de recursos. Não há data de lançamento.

Segurança: MED, MED 2.0 e limites

O Pix é irrevogável por natureza: não existe "estorno" como no cartão. Para casos de fraude, golpe e coerção existe o MED (Mecanismo Especial de Devolução), em vigor desde novembro de 2021. Ele não cobre arrependimento, desacordo comercial nem chave digitada errado. Quem procura algo parecido com disputa de compra deve olhar o chargeback do cartão, que tem outra lógica.

  1. Contestação. Desde 1º de outubro de 2025, o próprio cliente contesta pelo app, no "botão de contestação", sem precisar de atendimento humano. A transação deve ter no máximo 80 dias.
  2. Bloqueio. A contestação chega na hora à instituição do recebedor, que bloqueia o saldo disponível, inclusive parcial.
  3. Análise. As duas instituições têm até sete dias para avaliar o caso.
  4. Devolução. Se concordarem que houve fraude, o dinheiro volta para a vítima em até 11 dias após a contestação.

O problema do MED original era que o golpista transferia o dinheiro para outras contas em minutos. O MED 2.0 resolve isso rastreando o caminho dos recursos: a partir da transação original, monta um grafo das contas que receberam o dinheiro em seguida e permite bloquear e devolver a partir delas. Ficou disponível de forma opcional em 26 de novembro de 2025 e é obrigatório desde 2 de fevereiro de 2026.

Atenção para quem recebe

Se a sua conta receber um Pix contestado via MED, o valor pode ser bloqueado enquanto as instituições analisam. Empresas que vendem por Pix devem guardar comprovantes de entrega e dados do pedido para responder rapidamente. Contas usadas para repassar dinheiro de terceiros também podem ser atingidas pelo rastreio do MED 2.0.

Há também limites de valor. Para pessoas físicas, o período noturno vai, por padrão, das 20h às 6h, com limite de R$ 1.000; pedidos de aumento feitos pelo app não valem na hora, para dar tempo de barrar golpes. Desde novembro de 2024, transações feitas em celular ou computador não cadastrado ficam limitadas a R$ 200 cada e R$ 1.000 por dia. O Pix Automático e, desde outubro de 2026, o Pix por aproximação seguem os limites configurados pelo usuário.

O Pix em números

~80 bitransações em 2025 (BC, Relatório de Gestão do Pix)
R$ 35 trimovimentados em 2025 (BC)
12,8 miempresas usuárias no fim de 2025 (BC)
7,2 bitransações em setembro de 2026 (dados abertos do BC)

Segundo o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, o sistema chegou ao fim de 2025 com 148 milhões de pessoas físicas e 12,8 milhões de empresas que fizeram ou receberam ao menos um Pix, e mais de 920 milhões de chaves cadastradas. Nos dados abertos do BC, setembro de 2026 somou cerca de 7,2 bilhões de transações e R$ 3,2 trilhões. Dessas, cerca de 3,3 bilhões foram de pessoas físicas pagando empresas, o que mostra o peso do Pix no varejo.

Quanto custa o Pix para empresas

O Pix não tem uma tarifa única. A regra do BC funciona assim:

  • Pessoas físicas e MEIs não podem ser tarifados por enviar ou receber Pix em transferências e compras comuns. A instituição pode cobrar quando o recebimento tem cara de venda comercial, como QR Code dinâmico ou mais de 30 recebimentos por mês.
  • Pessoas jurídicas podem ser tarifadas no envio e no recebimento. Cada instituição define o modelo (valor fixo, percentual, pacote) e o preço.
  • Pix Automático é gratuito para o pagador; o recebedor pode pagar tarifa.

Mesmo com tarifa, o Pix costuma sair mais barato que cartão para o lojista, porque não tem intercâmbio nem bandeira e o dinheiro cai na hora, sem precisar de antecipação de recebíveis. Para comparar com o cartão, veja como se forma a taxa MDR. Na hora de negociar, olhe também o que vem junto: API, webhooks, painel de conciliação e devoluções.

Conciliação via API Pix e webhooks

A API Pix é uma especificação padronizada pelo BC: qualquer PSP que a oferece segue os mesmos endpoints e campos, o que facilita trocar de fornecedor. A versão 2.10.0 foi publicada em 19 de agosto de 2026. Os conceitos principais:

txid
Identificador da cobrança, criado pela empresa. Liga o QR Code ao pedido no seu sistema.
endToEndId
Identificador único da transação no SPI. É o que aparece no comprovante e é usado em devoluções.
Cobrança imediata e com vencimento
Os dois tipos de QR Code dinâmico, criados por endpoints próprios da API.
Webhook
Endereço do seu sistema que o PSP chama assim que um Pix é recebido, com txid, valor e endToEndId.
  1. Crie a cobrança. No checkout, seu sistema chama a API com valor e txid e recebe o QR Code e o "copia e cola".
  2. Mostre ao cliente. Exiba o QR Code com prazo de expiração adequado ao seu negócio.
  3. Receba o webhook. Quando o pagamento liquida, o PSP notifica seu endpoint. Valide a origem (a comunicação usa certificado digital, mTLS) e trate notificações repetidas sem duplicar a baixa.
  4. Dê baixa e confirme. Localize o pedido pelo txid, confira o valor e libere o produto ou serviço.
  5. Reconcilie no fim do dia. Consulte a lista de Pix recebidos pela API para pegar qualquer webhook perdido.
Dica

Nunca libere um pedido com base em comprovante enviado pelo cliente. Comprovante falso é um golpe comum. A única confirmação confiável é o crédito na sua conta, informado pela API do seu PSP.

Se você tem um marketplace ou plataforma que precisa dividir o valor recebido entre vários vendedores, a API sozinha não basta: é preciso uma camada de split de pagamento sobre o Pix.

Como integrar o Pix ao seu negócio

Quem quer cobrar por Pix com conciliação automática pode usar a API de um banco ou de um gateway de pagamento, que costuma juntar Pix, cartão e boleto numa única integração. O TKI Gateway oferece API de Pix com QR Code dinâmico, webhooks e split, e pode ser operado com a marca da sua empresa. Para quem quer ir além e ter conta digital própria, a TKI Finance entrega a estrutura de fintech completa.

Perguntas frequentes

Empresa paga tarifa para receber Pix?

Pode pagar. O Banco Central proíbe tarifar pessoas físicas e MEIs em transferências e compras comuns, mas permite que a instituição cobre de pessoas jurídicas no envio e no recebimento. O valor e o modelo (fixo ou percentual) são definidos por cada instituição.

Qual a diferença entre QR Code estático e dinâmico?

O estático é fixo e pode ser usado várias vezes, com ou sem valor definido. O dinâmico é gerado para uma cobrança específica, tem identificador único (txid) e permite baixa automática no sistema da empresa, por isso é o padrão no e-commerce e no PDV integrado.

O Pix Parcelado foi lançado pelo Banco Central?

Não. O BC chegou a estudar uma modalidade padronizada, mas, no Fórum Pix de dezembro de 2025, informou que não vai regulamentá-la. Bancos e fintechs seguem oferecendo parcelamento como produto de crédito próprio, sem poder usar o nome Pix Parcelado.

O que é o MED 2.0?

É a evolução do Mecanismo Especial de Devolução. Além da conta que recebeu o Pix fraudulento, ele rastreia as contas para onde o dinheiro foi transferido em seguida, permitindo bloquear e devolver recursos em mais de uma camada. Passou a ser obrigatório em 2 de fevereiro de 2026.

Como a empresa sabe que um Pix foi pago sem conferir o extrato?

Usando a API Pix com QR Code dinâmico. Cada cobrança tem um txid, e a instituição envia uma notificação (webhook) ao sistema da empresa assim que o pagamento é liquidado, o que permite a baixa automática do pedido.

O Pix Automático substitui o débito automático?

Em boa parte, sim. Ele permite cobranças recorrentes com uma única autorização do pagador, que pode cancelar quando quiser. Desde as Resoluções CMN 5.251 e BCB 505, de 2025, o débito automático entre instituições diferentes para recebedor pessoa jurídica deve usar o Pix Automático.

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