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Gestão financeira

Taxa MDR: o que é, como é formada e como calcular quanto você paga

Taxa MDR é o percentual que a maquininha desconta de cada venda com cartão. Veja como ela é formada, as taxas por modalidade e como calcular a taxa efetiva.

Calculadora, caderno quadriculado com lápis, pastas de arquivo e óculos sobre uma mesa de escritório
Foto: Cht Gsml / Unsplash
Neste artigo
  1. O que é a taxa MDR
  2. Como a MDR é formada
  3. MDR por modalidade: débito, crédito, parcelado e Pix
  4. Outras cobranças que não aparecem na MDR
  5. Exemplo de cálculo passo a passo
  6. Taxa efetiva: o número para comparar propostas
  7. Como negociar a taxa MDR e comparar propostas
  8. MDR do outro lado do balcão
  9. Perguntas frequentes

A taxa MDR (do inglês Merchant Discount Rate, taxa de desconto do lojista) é o percentual que quem fornece a maquininha retém de cada venda com cartão antes de repassar o dinheiro ao estabelecimento. Em uma venda de R$ 100 com MDR de 3%, o lojista recebe R$ 97. Esse percentual não é um número único: ele soma a parte do banco emissor do cartão, a da bandeira e a margem da credenciadora ou subcredenciadora, e muda conforme a modalidade da venda.

Resumo rápido

  • MDR = tarifa de intercâmbio (vai para o emissor) + tarifa da bandeira + margem de quem credencia o lojista.
  • O Banco Central limita só o intercâmbio do débito (0,5%) e do pré-pago (0,7%). A MDR em si é livre e negociada em contrato.
  • Débito costuma ser a modalidade mais barata, e o crédito parcelado, a mais cara.
  • Aluguel de maquininha, tarifa por transação e antecipação ficam fora da MDR e precisam entrar na conta.
  • Para comparar propostas, use a taxa efetiva: custo total do mês dividido pelo total vendido.

O que é a taxa MDR

Toda venda com cartão passa por uma cadeia de empresas. Do lado do cliente está o emissor, o banco ou fintech que emitiu o cartão. Do lado da loja está a credenciadora (também chamada de adquirente), que habilita o estabelecimento a aceitar cartões, ou uma subcredenciadora, que faz esse papel apoiada em uma credenciadora. No meio, a bandeira define as regras do arranjo de pagamento. Se quiser rever esse caminho, veja como funciona uma transação com cartão.

A MDR é o preço que o estabelecimento paga por esse serviço. O Banco Central, no Relatório de Economia Bancária de 2023, descreve a MDR como uma taxa negociada por contrato entre credenciador e estabelecimento, que leva em conta a tarifa de intercâmbio, os demais custos do credenciador (incluindo a tarifa da bandeira) e a margem de lucro. Em outras palavras: não existe tabela oficial de MDR. Cada contrato tem a sua.

A taxa é cobrada em percentual sobre o valor bruto da venda e descontada na hora da liquidação. O lojista não recebe uma fatura de MDR: ele simplesmente recebe menos do que vendeu.

R$ 4,5 trimovimentados com cartões no Brasil em 2025 (Abecs)
42,6%do valor no crédito foi parcelado sem juros em 2025 (Abecs)
0,5%teto do intercâmbio no débito desde abril de 2023 (BCB)

Como a MDR é formada

Pense na MDR como uma pilha de três camadas. Cada camada remunera um participante diferente.

1. Tarifa de intercâmbio

É a maior fatia na maioria das vendas a crédito. A Resolução BCB nº 246, de 2022, define a tarifa de intercâmbio como a remuneração paga pelo credenciador ao emissor do cartão a cada transação. Ela é fixada pela bandeira em tabelas que variam por tipo de cartão (débito, crédito, pré-pago), categoria (básico, premium, corporativo), segmento do comércio e forma de captura (presencial, on-line).

Desde 1º de abril de 2023, a mesma resolução limita o intercâmbio em 0,5% por transação no débito e 0,7% no pré-pago, nos arranjos domésticos. No crédito, a norma não estabelece teto: o valor segue as tabelas de cada bandeira. Cartões premium e corporativos costumam ter intercâmbio mais alto que os básicos, o que explica por que a mesma venda pode custar mais quando o cliente usa um cartão de alta renda.

2. Tarifa da bandeira

A bandeira cobra dos participantes uma tarifa pelo uso do arranjo, normalmente proporcional ao valor transacionado. É a menor das três camadas, mas existe em toda venda com cartão. Para entender o papel de cada bandeira, leia o artigo sobre arranjos de pagamento e bandeiras.

3. Margem da credenciadora ou subcredenciadora

É o que sobra para quem atende o lojista: cobre processamento, antifraude, suporte, risco de chargeback, custo de capital e lucro. Quando há uma subcredenciadora na cadeia, ela paga a MDR da credenciadora e adiciona a própria margem por cima. É aqui que existe espaço para negociação. As diferenças entre os dois modelos estão em o que é subadquirente.

Venda de R$ 100,00 no crédito à vista (MDR ilustrativa de 3%) Lojista recebe R$ 97,00 97% Intercâmbio R$ 1,50 vai para o emissor Bandeira R$ 0,10 uso do arranjo Credenciadora R$ 1,40 margem e custos MDR = R$ 1,50 + R$ 0,10 + R$ 1,40 = R$ 3,00
Composição da MDR em uma venda de R$ 100. Valores ilustrativos e arredondados, não representam a tabela de nenhuma bandeira ou empresa.

MDR por modalidade: débito, crédito, parcelado e Pix

Quase toda proposta de maquininha traz uma taxa diferente para cada modalidade. A lógica por trás das diferenças é sempre a mesma: intercâmbio, prazo de recebimento e risco.

ModalidadeQuando o dinheiro chega (sem antecipação)Por que custa o que custa
DébitoEm poucos diasIntercâmbio limitado a 0,5% e prazo curto. Costuma ser a mais barata entre os cartões.
Pré-pagoMesmo prazo do débitoIntercâmbio limitado a 0,7%. Normalmente fica no mesmo patamar do débito.
Crédito à vistaPor convenção de mercado, cerca de 30 dias após a vendaIntercâmbio sem teto regulatório, maior que o do débito, e prazo mais longo.
Crédito parcelado (lojista)Uma parcela a cada 30 dias, até a últimaIntercâmbio maior e risco espalhado por meses. Muitas propostas sobem a taxa por faixa de parcelas.
Pix na maquininhaNa hora, na conta vinculadaNão tem intercâmbio nem tarifa de bandeira de cartão. A cobrança é só da instituição que oferece o serviço.

O parcelado merece atenção especial. Segundo a Abecs, o parcelado sem juros (o parcelado pago pelo lojista) respondeu por 42,6% do valor transacionado no cartão de crédito em 2025, e 64,2% das compras parceladas foram feitas em até seis vezes. Se o seu negócio vende muito parcelado, a taxa do parcelado pesa mais no custo total do que a do débito.

No Pix na maquininha, o cliente paga lendo um QR Code exibido na tela. O Pix em si não tem tarifa de intercâmbio, por isso a taxa tende a ser bem menor que a do cartão, mas cada instituição define a sua: pode ser percentual, valor fixo por transação ou isenção. Mais detalhes no guia completo do Pix.

Outras cobranças que não aparecem na MDR

A MDR é a taxa mais visível, mas raramente é o único custo. Antes de assinar, procure estas linhas no contrato:

Aluguel da maquininha (POS)
Mensalidade pelo equipamento. Em vendas baixas, um aluguel fixo pode pesar mais que a própria MDR. Alguns contratos isentam o aluguel acima de um volume mínimo mensal.
Compra do equipamento
Alternativa ao aluguel: paga-se uma vez pela máquina. Compare o preço com o total de aluguéis no período em que você pretende usá-la.
Tarifa por transação
Valor fixo em reais cobrado a cada venda, somado à MDR. É comum em vendas on-line e em alguns planos de Pix. Em tíquetes baixos, faz a taxa efetiva subir muito.
Taxa de antecipação
Custo para receber o crédito antes do prazo normal. Pode vir embutida em um plano de recebimento rápido ou aparecer separada. O cálculo está em antecipação de recebíveis.
Taxa de chargeback e estornos
Algumas empresas cobram uma tarifa fixa por contestação recebida, além de devolver o valor ao portador.
Mensalidade de plataforma
Comum em gateways e contas digitais: cobre painel, conciliação e integrações.
Atenção às taxas "tudo incluso"

Planos que prometem receber tudo no dia seguinte costumam embutir a antecipação na MDR. Isso não é um problema em si, mas impede comparar a taxa com a de um plano que paga em 30 dias. Peça sempre as duas informações separadas: a MDR pura e o custo da antecipação.

Exemplo de cálculo passo a passo

Os números abaixo são ilustrativos e arredondados, pensados para mostrar o método. Não representam a tabela de nenhuma empresa. Imagine uma loja que vendeu R$ 20.000 no mês, assim distribuídos:

ModalidadeVendas no mêsMDR ilustrativaCusto
DébitoR$ 6.0001,0%R$ 60
Crédito à vistaR$ 8.0002,5%R$ 200
Crédito parceladoR$ 4.0003,5%R$ 140
Pix na maquininhaR$ 2.0000,5%R$ 10
TotalR$ 20.000R$ 410
  1. Calcule a MDR de cada modalidade. Multiplique o valor vendido pela taxa: R$ 8.000 × 2,5% = R$ 200 no crédito à vista, e assim por diante. A soma dá R$ 410.
  2. Some os custos fixos. Suponha um aluguel de maquininha de R$ 60 por mês. Custo até aqui: R$ 410 + R$ 60 = R$ 470.
  3. Some a antecipação, se houver. Se a loja antecipa o parcelado e isso custou R$ 120 no mês, o total vai para R$ 590.
  4. Divida pelo total vendido. Sem antecipação: R$ 470 ÷ R$ 20.000 = 2,35%. Com antecipação: R$ 590 ÷ R$ 20.000 = 2,95%.
  5. Compare com a taxa "de vitrine". A taxa do crédito à vista era 2,5%, mas o custo real de cada real vendido ficou entre 2,35% e 2,95%, dependendo do uso da antecipação. Esse é o número que importa.

Repare que a taxa média ponderada só de MDR foi de 2,05% (R$ 410 ÷ R$ 20.000). O aluguel acrescentou 0,30 ponto percentual e a antecipação, mais 0,60. Em um mês de vendas fracas, o aluguel fixo pesa ainda mais.

Taxa efetiva: o número para comparar propostas

A taxa efetiva é tudo o que você pagou no mês dividido por tudo o que você vendeu no mês. Ela resolve o principal problema na hora de comparar maquininhas: cada proposta organiza as cobranças de um jeito, e olhar só a MDR do crédito à vista leva a conclusões erradas.

Para calcular a sua, use o extrato ou o relatório de conciliação dos últimos três meses e some:

  • a MDR descontada em todas as modalidades;
  • aluguel, mensalidades e tarifas fixas;
  • tarifas por transação;
  • o custo de antecipação, automática ou avulsa.

Divida o total pelo valor bruto vendido no mesmo período. Para avaliar uma proposta nova, aplique as taxas oferecidas ao seu mix real de vendas (quanto é débito, crédito, parcelado e Pix). Uma proposta com crédito à vista barato e parcelado caro pode sair mais cara para quem vende muito parcelado.

Como negociar a taxa MDR e comparar propostas

Como a MDR é livre, há margem para negociar, principalmente na camada que fica com a credenciadora ou subcredenciadora. Algumas práticas ajudam:

  1. Leve seus números. Faturamento mensal, tíquete médio e divisão por modalidade. Quem atende sabe que volume previsível reduz custo e risco.
  2. Peça a proposta aberta. MDR por modalidade e por faixa de parcelas, prazo de recebimento, custo de antecipação, aluguel e todas as tarifas fixas.
  3. Pergunte o que acontece com o tempo. Taxas promocionais podem ter prazo de validade ou exigir volume mínimo. Veja como o reajuste é comunicado.
  4. Simule com o seu mix. Monte a planilha do exemplo acima para cada proposta e compare a taxa efetiva, não a taxa de vitrine.
  5. Confira a liberdade de saída. Multa por cancelamento, devolução do equipamento e cessões ou travas sobre os seus recebíveis podem prender você ao contrato. Os cuidados estão no artigo sobre registro de recebíveis.
Na prática

Pedir uma redução de 0,2 ponto percentual no crédito à vista parece pouco. Em R$ 8.000 por mês, são R$ 16 a menos todo mês, ou R$ 192 por ano. Faça a conta com o seu volume antes de decidir se vale trocar de fornecedor.

MDR do outro lado do balcão

Para quem quer oferecer maquininhas ou pagamentos com a própria marca, a MDR deixa de ser custo e vira receita. A margem é a diferença entre a MDR cobrada dos clientes e a soma do intercâmbio, da tarifa da bandeira e do custo da infraestrutura usada. A TKI Finance oferece essa estrutura para empresas que querem operar como subcredenciadora, com conta digital e maquininhas com marca própria, sem precisar montar a infraestrutura do zero.

Perguntas frequentes

O que significa MDR?

MDR é a sigla de Merchant Discount Rate, ou taxa de desconto do lojista. É o percentual que a credenciadora ou subcredenciadora retém de cada venda com cartão antes de repassar o dinheiro ao estabelecimento.

A taxa MDR é tabelada pelo Banco Central?

Não. A MDR é negociada em contrato entre o estabelecimento e quem oferece a maquininha. O Banco Central limita apenas a tarifa de intercâmbio do débito (0,5%) e do pré-pago (0,7%), que são um dos componentes da MDR.

Por que a taxa do crédito parcelado é maior que a do crédito à vista?

Porque o intercâmbio do parcelado costuma ser maior e porque o dinheiro demora mais para chegar. Quem oferece a maquininha embute esse prazo e o risco no preço.

Taxa MDR e taxa de antecipação são a mesma coisa?

Não. A MDR remunera o processamento da venda. A taxa de antecipação é um custo financeiro cobrado para receber antes do prazo normal. Muitas propostas juntam as duas em uma taxa única, por isso vale pedir a separação.

O que é taxa efetiva da maquininha?

É o custo total do mês (MDR, aluguel, tarifas fixas e antecipação) dividido pelo total vendido. Ela mostra quanto cada real vendido realmente custa e é a melhor forma de comparar propostas.

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