Como criar uma fintech no Brasil em 2026: modelos, regras do BC e passo a passo
Como criar uma fintech em 2026: compare white label, BaaS e licença própria, veja o que exige autorização do BC e siga o passo a passo até o lançamento.

Neste artigo
Para criar uma fintech no Brasil em 2026, o caminho mais curto é lançar os serviços financeiros com a sua marca sobre a infraestrutura de uma instituição já autorizada pelo Banco Central, no modelo Banking as a Service (BaaS), usando uma plataforma white label. O caminho mais longo é pedir a própria licença, como instituição de pagamento ou sociedade de crédito, o que hoje exige autorização prévia, capital mínimo maior e estrutura completa de compliance. A escolha depende de quanto controle você quer, de quanto pode investir e de quanto tempo pode esperar para faturar.
Resumo rápido
- Fintech é uma empresa que usa tecnologia para oferecer serviço financeiro. Nem toda fintech precisa de licença própria.
- Desde setembro de 2025, nenhuma instituição de pagamento pode começar a operar sem autorização prévia do Banco Central.
- O BaaS ganhou regras próprias em novembro de 2025 (Resolução Conjunta nº 16), e contratos antigos têm até 31/12/2026 para se adequar.
- O capital mínimo passou a ser calculado pelas atividades exercidas, com transição de julho de 2026 até o fim de 2027.
- Termos como "banco" e "bank" ficaram restritos a quem tem autorização de banco, inclusive em marca e domínio.
Os modelos para criar uma fintech
Antes de falar em passo a passo, é preciso escolher o modelo. Ele define o que você precisa pedir ao Banco Central, quanto vai investir e o que fica sob seu controle.
White label e Banking as a Service
No Banking as a Service, uma instituição autorizada (a prestadora) fornece conta, Pix, cartões ou crédito para outra empresa (a tomadora), que oferece esses serviços aos seus clientes com a própria marca. O Banco Central e o CMN regulamentaram esse modelo em 28 de novembro de 2025, com a Resolução Conjunta nº 16. A norma define as responsabilidades de cada parte, exige governança e gestão de riscos e obriga a prestadora a aparecer identificada para o cliente nos canais, contratos e instrumentos de pagamento.
O white label é a forma prática de chegar lá: uma plataforma pronta, com aplicativo, painel e integrações, que recebe a sua marca. Você cuida do produto, da marca, da venda e do relacionamento. A parte regulada fica com a instituição autorizada parceira.
Parceria com instituição autorizada e tecnologia própria
É o mesmo princípio do BaaS, mas você desenvolve a tecnologia em casa e integra direto com a instituição parceira por API. Dá mais liberdade de produto, mas exige time de engenharia, segurança e operação. Existe ainda o modelo de correspondente, em que a empresa atua em nome de uma instituição financeira em atividades definidas pelo CMN, como receber propostas de crédito.
Licença própria
Aqui a empresa vira a instituição regulada. As licenças mais usadas por fintechs são:
- Instituição de pagamento (IP): emissor de moeda eletrônica (conta de pagamento pré-paga), emissor de instrumento pós-pago, credenciador e iniciador de pagamento. A diferença para um banco está explicada em banco ou instituição de pagamento.
- Sociedade de Crédito Direto (SCD): empresta com capital próprio, por plataforma eletrônica. Regulada pela Resolução CMN nº 5.050/2022.
- Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP): conecta quem quer emprestar a quem quer tomar crédito, sem usar capital próprio. Também regulada pela Resolução CMN nº 5.050/2022.
| Modelo | Autorização do BC | Tempo até operar | Investimento inicial | Controle |
|---|---|---|---|---|
| White label sobre BaaS | Não (a parceira é autorizada) | Semanas a poucos meses | Baixo | Marca, preço, clientes |
| Parceria com tecnologia própria | Não (a parceira é autorizada) | Meses | Médio | Marca, produto, tecnologia |
| Licença própria (IP, SCD, SEP) | Sim, prévia | Mais de um ano, em geral | Alto | Total, com responsabilidade total |
O que exige autorização do Banco Central em 2026
Entre setembro e novembro de 2025, o Banco Central mudou bastante as regras para quem quer operar com licença própria. Quem planeja uma fintech agora precisa partir desse novo cenário.
- Autorização antes de operar. Em 5 de setembro de 2025, o BC acabou com a possibilidade de uma instituição de pagamento começar a operar sem autorização, que antes era permitida até certo volume de transações. O prazo para as que já operavam pedirem autorização foi antecipado de dezembro de 2029 para maio de 2026. Quem tiver o pedido negado precisa encerrar as atividades em até 30 dias.
- Limite para quem não é autorizada. Instituições de pagamento não autorizadas e as que se conectam ao sistema financeiro por prestadores de tecnologia ficaram limitadas a R$ 15 mil por TED ou Pix, até comprovarem os novos controles de segurança.
- Certificação técnica. O BC pode exigir certificação ou avaliação de empresa independente que comprove o cumprimento dos requisitos para a autorização.
- Capital mínimo por atividade. Em 3 de novembro de 2025, a Resolução Conjunta nº 14 e a Resolução BCB nº 517 passaram a calcular o capital mínimo pelas atividades exercidas, não mais pelo tipo de instituição. Há uma parcela para o custo inicial da operação e outra para serviços intensivos em tecnologia, como BaaS e contas transacionais no Pix. Na imprensa, o exemplo citado para instituições de pagamento foi um piso que passa de R$ 1 milhão para R$ 9,2 milhões. A transição começou em julho de 2026 e sobe em etapas: 25% da diferença até 31/12/2026, 50% até 30/06/2027 e 75% até 31/12/2027.
- Nome e marca. A Resolução Conjunta nº 17, de 28 de novembro de 2025, proíbe instituições autorizadas de usar no nome empresarial, nome fantasia, marca ou domínio termos que sugiram atividade para a qual não têm autorização, como "banco" ou "bank".
Mesmo no modelo BaaS, a fintech não fica livre de regras. A instituição autorizada responde pelo cumprimento das normas e vai exigir de você processos de cadastro, prevenção à fraude e à lavagem de dinheiro, além de transparência com o cliente. Contratos de BaaS anteriores à norma têm até 31 de dezembro de 2026 para se adequar.
Como criar uma fintech: passo a passo
- Escolha o nicho. Fintechs que dão certo resolvem uma dor de um público específico: conta para clínicas, cobrança para academias, maquininha para uma rede de franquias. Quanto mais claro o público, mais barato vender e mais fácil desenhar o produto.
- Defina o modelo de receita. As fontes mais comuns são tarifa por transação (Pix, boleto, cartão), mensalidade da conta, margem sobre a taxa MDR das maquininhas, antecipação de recebíveis e serviços extras. Faça a conta com o custo que o parceiro vai cobrar de você.
- Escolha o parceiro licenciado. Avalie quem é a instituição autorizada por trás da plataforma, quais serviços ela pode prestar, como responde por incidentes, como funciona a liquidação e o que acontece com os saldos dos seus clientes se a parceria acabar.
- Resolva a tecnologia. Comprar uma plataforma white label ou construir sobre APIs. Inclua no escopo livro-razão (o registro de cada movimento de saldo), conciliação, painel de operação, antifraude e atendimento. São as partes que mais atrasam projetos feitos do zero.
- Monte o compliance. KYC (sigla em inglês para "conheça seu cliente") é o processo de identificar e validar cada cliente. PLD é a prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, prevista na Lei nº 9.613/1998 e detalhada pelo Banco Central. Defina política, responsáveis e monitoramento, alinhados com o parceiro.
- Cumpra a LGPD. A Lei nº 13.709/2018 exige base legal para tratar dados, transparência com o titular, segurança e um encarregado de dados. Fintech lida com dados sensíveis o tempo todo, então trate isso desde o primeiro desenho do produto.
- Construa a marca. Nome, identidade, domínio e registro no INPI. Evite termos reservados como "banco" e deixe claro, nos canais, quem é a instituição prestadora dos serviços, como a regra de BaaS exige.
- Planeje o go-to-market. Comece com um grupo pequeno de clientes, meça ativação, volume transacionado e atendimento, e só depois acelere. Para quem já tem base de clientes, como uma rede ou plataforma, a oferta financeira costuma entrar como extensão do produto atual.
Quanto tempo e quanto custa
Não existe número único, porque tempo e custo dependem do modelo e do escopo. Dá para comparar de forma qualitativa:
- White label sobre BaaS. O maior custo é comercial e de marca, além da mensalidade ou participação da plataforma. A tecnologia e a parte regulada já existem. O prazo é medido em semanas ou poucos meses, conforme personalização e homologação.
- Tecnologia própria com parceiro. Soma-se o custo de um time de engenharia, segurança e operação. O prazo se mede em meses, e a manutenção nunca termina.
- Licença própria. Soma-se o capital mínimo exigido pelo BC, sede física, diretoria qualificada, auditoria, compliance e o tempo de análise do pedido. É o caminho para quem já tem escala ou um plano claro para chegar lá, e costuma levar bem mais de um ano.
Muitas empresas começam no white label para validar o mercado e só pensam em licença própria depois de ter volume. Assim, o investimento pesado vem quando já existe receita para sustentá-lo.
Erros comuns ao criar uma fintech
- Começar pela licença. Pedir autorização antes de provar que o produto vende consome capital e tempo que fariam falta na operação.
- Subestimar o compliance. Cadastro mal feito atrai fraude, e fraude derruba parcerias. KYC e PLD são parte do produto, não burocracia.
- Ignorar a conciliação. Se o saldo do cliente não bate com o que entrou e saiu, o problema aparece no atendimento e no caixa.
- Não ler o contrato com o parceiro. Saiba quem é dono da base de clientes, como sair da parceria e quem responde por cada incidente.
- Copiar a oferta dos grandes. Concorrer com bancos digitais em conta gratuita é difícil. O diferencial está no nicho, no atendimento e na integração com o negócio do cliente.
- Esquecer os meios de pagamento. Para muitas fintechs, a receita vem do Pix, do boleto e do cartão. Entender sub-adquirência e split de pagamento ajuda a desenhar um modelo de receita que se sustenta.
Fintech white label com a TKI
O TKI Finance é uma plataforma white label para quem quer operar como fintech com a própria marca: conta digital, Pix, boleto, cobranças e recorrência, maquininhas personalizadas e Tap to Pay, tudo no mesmo saldo, com painel, relatórios e API. A empresa define as tarifas, cuida dos seus clientes e lança em menos tempo do que levaria para montar a infraestrutura do zero.
Perguntas frequentes
Preciso de autorização do Banco Central para criar uma fintech?
Depende do modelo. Quem oferece serviços financeiros com a própria marca sobre a infraestrutura de uma instituição autorizada, no modelo Banking as a Service, não precisa de licença própria. Já quem quer ser instituição de pagamento, SCD ou SEP precisa de autorização prévia do Banco Central antes de começar a operar.
Quanto custa abrir uma fintech?
Varia muito com o modelo. No white label, o investimento principal é em marca, comercial e mensalidade da plataforma. Com licença própria, entram capital mínimo exigido pelo Banco Central, equipe de compliance, auditoria e tecnologia certificada, o que costuma somar alguns milhões de reais antes da primeira receita.
Uma fintech pode usar a palavra banco no nome?
A Resolução Conjunta nº 17, de novembro de 2025, proíbe instituições autorizadas de usar no nome, na marca ou no domínio termos que sugiram uma atividade para a qual não têm autorização, como banco ou bank. Quem não é banco deve evitar esses termos.
Qual a diferença entre BaaS e white label?
BaaS é o modelo de negócio em que uma instituição autorizada fornece serviços financeiros para outra empresa oferecer aos seus clientes. White label é a forma de entrega: a plataforma vem pronta e recebe a marca de quem contrata. Na prática, muitas fintechs usam os dois juntos.
Quanto tempo leva para lançar uma fintech?
Com uma plataforma white label, a operação pode começar em semanas ou poucos meses, conforme integração e homologação. Com licença própria, o processo de autorização no Banco Central, somado à estrutura de tecnologia e compliance, costuma levar bem mais de um ano.



