Como escolher maquininha de cartão: taxas, prazos, modelos e contrato
Como escolher maquininha de cartão: compare taxa MDR, prazo de recebimento, antecipação, aluguel ou compra, conexão, Pix e suporte antes de assinar o contrato.

Neste artigo
- Antes de comparar: conheça o seu perfil de vendas
- Taxas da maquininha: MDR, taxa efetiva e o que fica de fora
- Prazo de recebimento e antecipação
- Aluguel ou compra da maquininha
- Tipos de maquininha: smart POS, compacta e celular
- Conexão, bateria e resistência
- Pix e pagamento por aproximação na maquininha
- Suporte, contrato e recebíveis
- Perguntas frequentes
Para escolher maquininha de cartão, compare quatro coisas nesta ordem: o custo total das taxas aplicado ao seu volume de vendas, o prazo em que o dinheiro cai na conta, o tipo de equipamento que combina com o lugar onde você vende e o que o contrato diz sobre aluguel, antecipação e cancelamento. A taxa mais baixa anunciada nem sempre é a mais barata: o número que importa é quanto sobra de cada real vendido no fim do mês.
Resumo rápido
- Comece pelo seu perfil: faturamento, tíquete médio e quanto você vende em débito, crédito, parcelado e Pix.
- Compare a taxa efetiva (todos os custos do mês divididos pelo total vendido), não só a taxa do crédito à vista.
- Prazo de recebimento e antecipação mudam o preço: receber em 1 dia custa mais que receber em 30.
- Aluguel ou compra: faça a conta de 12 meses com o seu volume real.
- Escolha o equipamento pelo uso: smart POS para quem precisa de recursos, compacta para quem quer simplicidade, celular para volume baixo e mobilidade.
- Leia o contrato: multa de cancelamento, reajuste de taxas e travas sobre os seus recebíveis.
Antes de comparar: conheça o seu perfil de vendas
Duas lojas com o mesmo faturamento podem pagar valores bem diferentes na mesma maquininha. O que muda é o mix. Uma padaria vende quase tudo no débito e no Pix, em tíquetes baixos. Uma loja de móveis vende pouco, em valores altos e parcelados. A proposta ideal para uma é ruim para a outra.
Antes de pedir orçamento, levante estes números dos últimos três meses (o extrato da maquininha atual ou do banco já mostra):
- faturamento mensal no cartão e no Pix;
- tíquete médio, ou seja, o valor médio de cada venda;
- a divisão do valor entre débito, crédito à vista, crédito parcelado e Pix;
- em quantas vezes você costuma parcelar;
- se você precisa do dinheiro rápido ou consegue esperar o prazo normal.
O parcelamento é um ponto sensível. Segundo a Abecs, em 2025 o parcelado sem juros representou 42,6% das compras no cartão, contra 57,1% à vista, e 64,2% das compras parceladas foram feitas em até seis vezes. Se o seu negócio vive de parcelado, a taxa do parcelado pesa mais que qualquer outra.
Taxas da maquininha: MDR, taxa efetiva e o que fica de fora
A principal cobrança é a taxa MDR (do inglês Merchant Discount Rate), o percentual descontado de cada venda antes do repasse. Ela muda por modalidade: débito costuma ser a mais barata, e crédito parcelado, a mais cara. Parte dessa taxa vai para o banco que emitiu o cartão, como tarifa de intercâmbio. No débito e no pré-pago, o Banco Central limita o intercâmbio a 0,5% e 0,7% por transação, respectivamente, pela Resolução BCB nº 246, de 2022. No crédito não há teto regulatório. O resto da taxa é livre e negociado em contrato. A explicação completa está em o que é taxa MDR.
Além da MDR, procure na proposta:
- aluguel ou mensalidade do equipamento;
- tarifa fixa por transação, que pesa muito em vendas de valor baixo;
- taxa de antecipação, separada ou embutida em um plano de recebimento rápido;
- taxa do Pix, que pode ser percentual, fixa ou zero;
- tarifas eventuais, como troca de equipamento, bobina, segunda via ou contestação de venda.
Para comparar propostas, aplique as taxas de cada uma ao seu mix e some tudo. O total dividido pelo faturamento é a taxa efetiva. Uma proposta com crédito à vista barato e parcelado caro pode sair mais cara para quem parcela muito.
Taxas muito baixas nos primeiros meses podem subir depois, ou valer só acima de um volume mínimo. Pergunte por quanto tempo a condição vale, o que acontece se você não bater a meta e como o reajuste é avisado. Peça tudo por escrito.
Prazo de recebimento e antecipação
O prazo é o segundo fator mais importante, porque dinheiro que demora a cair é capital de giro que falta. Sem antecipação, cada modalidade tem um ritmo diferente:
A antecipação encurta esse caminho: você recebe hoje o que só cairia daqui a semanas, pagando uma taxa proporcional ao tempo antecipado. Ela pode ser automática (todo crédito cai em 1 ou 2 dias) ou avulsa (você escolhe quando antecipar). Planos que prometem "tudo em 1 dia" costumam embutir a antecipação na MDR, o que deixa a taxa mais alta e dificulta comparar com um plano de 30 dias.
Pergunte sempre qual é a taxa no prazo normal e quanto custa antecipar. Com os dois números, você decide se paga pela velocidade todo mês ou só quando o caixa aperta. O cálculo está em antecipação de recebíveis.
Aluguel ou compra da maquininha
Há dois modelos de acesso ao equipamento, e cada um combina com um perfil.
- Compra. Você paga uma vez e a máquina é sua. Não há mensalidade, o que favorece quem vende pouco, tem vendas sazonais ou está começando. Em troca, as taxas tendem a ser menos negociáveis, e defeito fora da garantia é problema seu.
- Aluguel (comodato). Você paga uma mensalidade e o equipamento continua sendo da empresa. Costuma vir com troca rápida em caso de defeito e, às vezes, isenção do aluguel acima de uma meta de vendas. Faz mais sentido para quem tem volume alto e estável.
A conta é simples: some 12 meses de aluguel e compare com o preço de compra mais a diferença de taxas entre as duas ofertas, aplicada ao seu volume. Se o aluguel vier com taxas menores, ele pode sair mais barato mesmo com a mensalidade. Verifique também se a devolução do equipamento tem prazo e multa.
Tipos de maquininha: smart POS, compacta e celular
POS (do inglês point of sale, ponto de venda) é o nome técnico da maquininha. Hoje há três famílias principais, além dos leitores que dependem de um celular por bluetooth.
| Tipo | Como é | Pontos fortes | Pontos de atenção | Combina com |
|---|---|---|---|---|
| Smart POS | Tela sensível ao toque, sistema operacional, aplicativos e, em geral, impressora | Catálogo de produtos, controle de estoque, divisão de conta, Pix por QR Code, recibo impresso ou digital | Costuma custar mais e gastar mais bateria | Restaurantes, lojas com variedade de produtos, quem quer gestão no próprio terminal |
| Compacta | Menor e mais leve, com teclado ou tela simples, muitas vezes sem impressora | Preço menor, bateria longa, fácil de carregar | Menos recursos, comprovante geralmente por SMS ou e-mail | Ambulantes, entregadores, prestadores de serviço, vendas rápidas |
| Celular (tap on phone) | App que transforma um celular com NFC em terminal de aproximação | Sem equipamento extra, começa rápido | Aceita só aproximação, depende da bateria e do celular | Quem vende pouco, profissionais autônomos, equipes de venda externa |
O tap on phone cresce rápido: segundo a Abecs, movimentou R$ 78 bilhões em 2025, alta de 241,4% sobre 2024. Ainda assim, quem atende clientes com cartões sem aproximação precisa de um terminal com chip e senha como alternativa.
Conexão, bateria e resistência
A melhor taxa do mundo não adianta se a máquina não conecta na hora de cobrar. Avalie onde você vende:
- Chip de dados. Essencial para quem vende fora de um ponto fixo. Prefira modelos com chip que alterne entre operadoras, porque o sinal varia muito por região.
- Wi-fi. Bom para lojas com internet estável. Muitas máquinas usam wi-fi como principal e chip como reserva.
- Bluetooth. Leitores que dependem do celular para conectar. São baratos, mas cada venda depende de dois aparelhos funcionando.
- Bateria. Pergunte quantas transações a bateria aguenta e quanto tempo leva para carregar. Quem passa o dia na rua precisa de autonomia.
- Resistência. Em feiras, praias e entregas, quedas e poeira são rotina. Veja se há capa de proteção e como funciona a troca em caso de defeito.
Pix e pagamento por aproximação na maquininha
O cliente brasileiro já paga encostando o cartão ou o celular. Segundo a Abecs, a aproximação respondeu por 73,6% das compras com cartão em 2025, contra 5,4% em dezembro de 2020. Uma maquininha sem NFC (a tecnologia de comunicação por aproximação) está fora do padrão. Entenda a tecnologia em pagamento por aproximação.
O Pix na maquininha também virou critério de escolha. O terminal gera um QR Code na tela, o cliente lê com o app do banco e o valor cai na conta vinculada na hora, sem esperar liquidação de cartão. Segundo o Banco Central, o Pix é gratuito para pessoa física e tem custo baixo para empresas, mas a tarifa cobrada do lojista é definida por quem oferece o serviço. Compare a taxa do Pix entre as propostas como compara a do débito. Mais detalhes no guia completo do Pix.
Se boa parte dos seus clientes paga com Pix, uma maquininha que gera o QR Code e concilia o recebimento junto com as vendas de cartão evita conferência manual no fim do dia. Pergunte se o Pix aparece no mesmo relatório que o cartão.
Suporte, contrato e recebíveis
Os problemas mais caros com maquininha raramente estão na taxa. Estão no dia em que a máquina para, no contrato que prende e nos recebíveis que ficam comprometidos. Use este roteiro antes de assinar:
- Teste o suporte. Ligue ou mande mensagem antes de fechar. Veja o horário de atendimento, os canais disponíveis e o prazo para trocar um equipamento com defeito.
- Leia as condições de saída. Multa por cancelamento, prazo mínimo de contrato, devolução do equipamento e como encerrar a conta.
- Pergunte sobre reajuste. Como e com que antecedência as taxas podem mudar.
- Confira os recebíveis. Seus valores a receber de cartão são registrados em registradoras e podem ser dados em garantia de empréstimo. Veja se o contrato prevê trava ou cessão dos seus recebíveis. O assunto está explicado em registro de recebíveis.
- Veja o painel e os relatórios. Extrato por venda, agenda de recebimentos, conciliação e exportação para o seu sistema de gestão.
- Entenda as contestações. Como a empresa avisa e trata um chargeback, e se cobra tarifa por ele.
Com essas respostas e a taxa efetiva de cada proposta em mãos, a escolha deixa de ser pelo anúncio e passa a ser pela conta do seu negócio.
Do outro lado do balcão, há empresas que querem oferecer maquininhas com a própria marca para uma base de lojistas, como redes, associações e softwares de gestão. Para esse caso, a TKI Fintech fornece a tecnologia white label de maquininhas, conta digital e sub-adquirência, integrada a instituições autorizadas.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor maquininha de cartão?
Não existe uma melhor para todos. A melhor é a que tem o menor custo total para o seu mix de vendas (débito, crédito, parcelado e Pix), recebe no prazo que o seu caixa precisa e funciona bem onde você vende, com suporte rápido quando dá problema.
Vale mais a pena alugar ou comprar maquininha?
Comprar costuma compensar para quem vende pouco ou de forma irregular, porque não há mensalidade. Alugar pode compensar para quem vende volume alto e consegue taxas menores, isenção do aluguel por meta ou troca rápida do equipamento. Faça a conta somando aluguel e taxas em 12 meses.
Em quanto tempo o dinheiro da maquininha cai na conta?
Sem antecipação, o Pix cai na hora, o débito costuma cair em poucos dias e o crédito à vista, por convenção de mercado, em cerca de 30 dias. No parcelado, cada parcela cai a cada 30 dias. Com antecipação, tudo pode cair antes, mediante uma taxa.
Maquininha com chip ou wi-fi: qual escolher?
Se você vende em um ponto fixo com boa internet, o wi-fi resolve. Se vende na rua, em feiras ou entregas, prefira chip de dados, de preferência com mais de uma operadora. Muitas máquinas têm as duas opções.
Dá para receber Pix na maquininha?
Sim. Muitas maquininhas geram um QR Code de Pix na tela, e o valor cai na conta vinculada na hora. A taxa do Pix é definida por quem oferece o serviço e costuma ser menor que a do cartão, mas varia entre empresas.
O celular pode virar maquininha?
Sim. A tecnologia tap on phone transforma um celular com NFC em terminal para receber pagamentos por aproximação. Segundo a Abecs, ela movimentou R$ 78 bilhões no Brasil em 2025.




