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Fundamentos

Open Finance: o que é, como funciona e o que já dá para fazer

Open Finance no Brasil: o que é, como funciona o consentimento, a evolução por fases, Pix por aproximação, Pix Automático, segurança e o que muda para fintechs.

Vista de cima de um balcão de loja com cliente segurando um celular para pagar ao lado de um tablet com o catálogo de produtos
Foto: Blake Wisz / Unsplash
Neste artigo
  1. Open Finance: o que é
  2. Como funciona o consentimento
  3. Fases do Open Finance: de 2021 a 2026
  4. O que já dá para fazer com o Open Finance
  5. Segurança no Open Finance
  6. O que muda para fintechs
  7. O que muda para quem vende
  8. Perguntas frequentes

Open Finance é o sistema financeiro aberto do Brasil: um conjunto de regras e de APIs padronizadas que permite ao cliente levar seus dados financeiros de uma instituição para outra e iniciar pagamentos fora do app do banco, sempre com a sua autorização. Ele é regulado pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), funciona entre mais de 700 instituições e, segundo o Banco Central, somava 145 milhões de autorizações de compartilhamento de dados em agosto de 2026. Para quem vende, ele está por trás de novidades como o Pix por aproximação e o Pix Automático.

Resumo rápido

  • O Open Finance foi criado pela Resolução Conjunta nº 1/2020 e trocou o nome de Open Banking para Open Finance em 2022.
  • Nada é compartilhado sem consentimento: o cliente escolhe os dados, a instituição, a finalidade e o prazo, e pode cancelar quando quiser.
  • Além de dados, o sistema permite iniciar pagamentos Pix, pagar por aproximação, autorizar Pix Automático e, desde 2026, pedir portabilidade de crédito pessoal.
  • A segurança se apoia em autenticação no banco de origem, APIs no padrão FAPI e comunicação direta entre as duas instituições.
  • Em outubro de 2026, a Resolução Conjunta nº 21 endureceu as regras para parcerias com empresas não autorizadas pelo Banco Central.

Open Finance: o que é

Pense na sua vida financeira espalhada por vários lugares: a conta em um banco, o cartão em outro, os investimentos numa corretora. Cada instituição conhece só um pedaço de você. O Open Finance cria uma forma padronizada e segura de juntar esses pedaços quando você quiser, para receber uma oferta de crédito melhor, organizar as finanças em um só app ou pagar com menos etapas.

A base legal é a Resolução Conjunta nº 1, de 4 de maio de 2020, do Banco Central e do CMN. O sistema nasceu com o nome Open Banking e, em 2022, uma alteração da norma passou a chamá-lo de Open Finance, porque o escopo já ia muito além de contas bancárias. A governança do ecossistema fica a cargo da Associação Open Finance, e as instituições participantes ajudam a definir os padrões técnicos e as regras, com acompanhamento e fiscalização do Banco Central.

Uma característica importante do modelo brasileiro é ser descentralizado. Não existe um banco de dados central com as informações dos clientes. O compartilhamento acontece sempre entre duas instituições por vez, a que envia e a que recebe, e os dados não passam pelo Banco Central. Segundo o próprio BC, com mais de 700 participantes, 99% dos clientes de instituições autorizadas podem usar o Open Finance.

145 milhõesautorizações de compartilhamento de dados, agosto de 2026 (Banco Central)
R$ 5 bilhõesem transações Pix pelo Open Finance por mês, agosto de 2026 (Banco Central)
+700instituições participantes (Banco Central)

Como funciona o consentimento

Consentimento é a autorização que o cliente dá para um compartilhamento específico. É o coração do Open Finance: sem ele, nada acontece. A norma exige que o pedido use linguagem clara, tenha finalidade determinada, indique a instituição de origem e os dados ou serviços envolvidos, e tenha prazo compatível com a finalidade. Também proíbe atalhos: o consentimento não pode vir embutido em contrato de adesão, em formulário com aceite já marcado nem ser presumido sem uma ação do cliente.

Na prática, a jornada tem três etapas, como descreve o Banco Central:

  1. Consentimento. No app da instituição que vai receber os dados ou iniciar o pagamento, o cliente escolhe o que quer compartilhar, de onde e por quanto tempo.
  2. Autenticação. O cliente é levado ao app ou internet banking da instituição de origem e se identifica como sempre faz, com biometria, senha ou token. A instituição que pediu os dados não vê nada dessa etapa.
  3. Confirmação. Ainda na instituição de origem, o cliente revisa um resumo do que está autorizando e confirma. Só então volta para o app de destino, que passa a receber os dados ou executa o pagamento.
Como um compartilhamento é autorizado 1. Consentimento no app que vai receber os dados ou iniciar o pagamento 2. Autenticação no app do banco de origem, com biometria ou senha 3. Confirmação o cliente revisa o resumo e confirma no banco de origem Instituição receptora recebe só o que foi autorizado Instituição transmissora envia os dados ou o dinheiro API padronizada conexão direta Os dados não passam pelo Banco Central. O consentimento pode ser cancelado a qualquer momento.
A autorização começa na instituição que vai usar os dados, mas a autenticação e a confirmação acontecem sempre na instituição de origem.

O prazo do consentimento era limitado a 12 meses. Em outubro de 2023, a Resolução Conjunta nº 7 permitiu prazos mais longos e simplificou a renovação: em vez de refazer toda a jornada, basta confirmar no app que recebe os dados. Para pagamentos recorrentes, o cliente pode atrelar a validade ao fim das transações combinadas. Em qualquer caso, a revogação continua garantida a qualquer momento, pelo app de qualquer uma das duas instituições.

Instituição transmissora
Quem já tem os dados do cliente e os envia, como o banco onde ele mantém conta.
Instituição receptora
Quem pede e recebe os dados para oferecer um produto ou serviço.
Detentora de conta
Instituição de onde sai o dinheiro em um pagamento iniciado pelo Open Finance.
Iniciador de pagamento (ITP)
Instituição autorizada pelo Banco Central a iniciar um pagamento a pedido do cliente sem guardar o dinheiro dele.
JSR
Jornada sem Redirecionamento: o cliente vincula a conta uma vez e passa a pagar sem ser levado ao app do banco a cada compra.
FAPI
Financial-grade API, perfil de segurança da OpenID Foundation para APIs que lidam com dados e pagamentos.

Fases do Open Finance: de 2021 a 2026

O Open Finance foi implantado em etapas, para que as instituições se adaptassem aos poucos. Começou pelos dados abertos, que são públicos, como canais de atendimento e características de produtos. Depois vieram os dados cadastrais e de transações dos clientes, os serviços de pagamento e, por fim, outros tipos de dado. A linha do tempo publicada pelo Banco Central resume a evolução:

AnoO que entrou
2020Publicação das regras do Open Banking, no mesmo ano de lançamento do Pix
2021Criação da infraestrutura e início do compartilhamento de dados abertos e de dados dos clientes
2022Compartilhamento de serviços de pagamento com Pix; troca do nome para Open Finance
2023Dados de investimentos e regras de monitoramento do ecossistema
2024Dados de câmbio, novos serviços de pagamento, regras da Jornada sem Redirecionamento e nova estrutura de governança
2025Pix por aproximação, Pix Automático e entrada de novos participantes no compartilhamento de dados
2026Portabilidade de crédito pessoal sem consignação e novas regras para parcerias (Resolução Conjunta nº 21)

O que já dá para fazer com o Open Finance

Compartilhar dados

O cliente pode levar dados de cadastro, contas, cartões, operações de crédito, investimentos e câmbio para outra instituição. Os usos mais comuns são a análise de crédito, que fica mais precisa com o histórico real de movimentação, e os gerenciadores financeiros, que mostram contas de vários bancos em uma tela só. Para empresas, isso também facilita a gestão de caixa com contas em mais de um banco.

Iniciar pagamentos Pix

Um iniciador de pagamento pode disparar um Pix a partir da conta do cliente em outra instituição, sem que ele precise copiar código ou abrir o app do banco para digitar dados. É a base de checkouts com Pix integrado e de pagamentos agendados.

Pix por aproximação e Jornada sem Redirecionamento

Em agosto de 2024, a Resolução BCB nº 406 regulamentou a Jornada sem Redirecionamento (JSR). Nela, o cliente vincula a conta a uma carteira digital ou a um app uma única vez. Depois, cada pagamento é autorizado ali mesmo, sem ir ao app do banco. Foi essa jornada que permitiu o Pix por aproximação, lançado em 2025: o cliente encosta o celular na maquininha e paga com Pix, como faria com um cartão por aproximação.

Pix Automático

O Pix Automático, também de 2025, é o Pix para cobranças recorrentes, como escola, academia, assinatura ou conta de consumo. O pagador autoriza uma vez, define regras como o valor máximo, e as cobranças seguintes são pagas automaticamente. Pelo Open Finance, a empresa pode contratar um iniciador de pagamento e escolher em qual banco quer receber, podendo mudar depois sem pedir nova autorização ao cliente. Veja os detalhes no guia completo do Pix.

Portabilidade de crédito

Em 2026, entrou a portabilidade de crédito pessoal sem consignação pelo Open Finance. O cliente pode levar um empréstimo para outra instituição que ofereça condições melhores, em um fluxo digital.

Segurança no Open Finance

A segurança do Open Finance tem camadas técnicas e regulatórias. Do lado do cliente, três regras fazem a maior diferença: ele só autentica no app da própria instituição de origem, vê um resumo do que está autorizando antes de confirmar e pode cancelar o consentimento quando quiser.

Do lado técnico, as APIs seguem o perfil de segurança do Open Finance Brasil, construído sobre o FAPI, padrão da OpenID Foundation pensado para dados financeiros. Entre outros pontos, a comunicação entre instituições usa TLS mútuo, em que as duas pontas se identificam com certificados digitais da ICP-Brasil, e só entram no ecossistema as instituições registradas no diretório de participantes. Os participantes também precisam cumprir as regras de segurança cibernética do Banco Central, explicadas no artigo sobre segurança cibernética para empresas.

Atenção

Golpistas usam o nome do Open Finance para pedir senhas ou códigos por telefone, e-mail ou mensagem. Nenhum compartilhamento legítimo pede senha fora do app oficial do seu banco. Se alguém pedir, é golpe. Veja outros sinais no artigo sobre golpes digitais e phishing.

O que muda para fintechs

A participação é obrigatória para parte do mercado. No compartilhamento de dados, entram de forma obrigatória as instituições dos segmentos S1 e S2 do Banco Central e, desde 2025, as instituições ou conglomerados com mais de cinco milhões de clientes. Na iniciação de pagamento, são obrigatórios os participantes obrigatórios do Pix, as detentoras de conta dos seus conglomerados e os iniciadores de pagamento. Para as demais instituições autorizadas, a participação é voluntária. Em qualquer caso, só participa quem é autorizado pelo Banco Central, seja como banco, seja como instituição de pagamento, inclusive na modalidade de iniciador de pagamento. As diferenças entre esses formatos estão no artigo sobre banco ou instituição de pagamento.

Empresas que não são autorizadas só podem receber dados do Open Finance por meio de um contrato de parceria com uma instituição participante. Essa regra mudou bastante com a Resolução Conjunta nº 21, publicada em 26 de outubro de 2026 e em vigor desde a publicação:

  • A norma criou as figuras da instituição integradora, participante que repassa os dados, e da entidade parceira, que os recebe.
  • A entidade parceira fica proibida de montar modelos de negócio que repassem a terceiros os dados recebidos.
  • A avaliação prévia do parceiro inclui acesso a relatórios de auditor independente sobre os controles de tratamento de dados.
  • As instituições com parcerias vigentes devem enviar ao Banco Central a lista de entidades parceiras até 1º de dezembro de 2026. A adequação dos contratos e consentimentos existentes segue cronograma ainda a ser definido pelo BC.

Para quem está montando uma operação financeira, isso reforça uma escolha de arquitetura: depender de dados de terceiros por meio de parcerias ou operar com uma instituição autorizada desde o início. Os caminhos possíveis aparecem nos artigos sobre Banking as a Service e como criar uma fintech.

O que muda para quem vende

Para o lojista, o Open Finance aparece menos como tecnologia e mais como formas novas de receber. O Pix por aproximação deixa o Pix tão rápido no balcão quanto o cartão por aproximação. A Jornada sem Redirecionamento reduz etapas no checkout online e, com isso, a chance de abandono do carrinho. E o Pix Automático permite cobrar mensalidades por Pix sem depender de boleto ou de cartão de crédito do cliente.

O que não muda é a necessidade de uma boa infraestrutura de recebimento: conciliar Pix e cartão no mesmo lugar, dividir valores entre parceiros e acompanhar cada cobrança. Para isso, o TKI Gateway oferece API de Pix e cartão, checkout e split, e o TKI Fintech permite lançar uma fintech white label com conta digital, Pix, cobranças e maquininhas com a marca do cliente.

Perguntas frequentes

O que é Open Finance?

É o sistema financeiro aberto regulado pelo Banco Central e pelo CMN. Com ele, o cliente autoriza que seus dados financeiros sejam compartilhados entre instituições e que pagamentos sejam iniciados de fora do app do banco, sempre por APIs padronizadas e com consentimento.

Qual a diferença entre Open Banking e Open Finance?

É o mesmo sistema. Ele nasceu em 2020 com o nome Open Banking e passou a se chamar Open Finance em 2022, quando o escopo já ia além de contas bancárias e incluía investimentos, câmbio, seguros e previdência.

O Open Finance é seguro?

O compartilhamento só acontece com autorização do cliente, a autenticação é feita no app da instituição de origem e os dados vão direto de uma instituição para a outra, sem passar pelo Banco Central. As APIs seguem padrões internacionais de segurança e o consentimento pode ser cancelado a qualquer momento.

Como cancelo um consentimento no Open Finance?

Pelo app ou internet banking da instituição que recebe os dados ou da que os envia. As duas precisam oferecer a revogação de forma simples e a qualquer tempo.

O que é Pix por aproximação?

É o pagamento Pix feito aproximando o celular da maquininha ou do leitor, a partir de uma carteira digital. Ele usa a Jornada sem Redirecionamento do Open Finance: o cliente vincula a conta uma vez e depois paga sem precisar abrir o app do banco.

Minha fintech precisa participar do Open Finance?

É obrigatória para parte do mercado, como as instituições dos segmentos S1 e S2, as que têm mais de cinco milhões de clientes e, na iniciação de pagamento, os participantes obrigatórios do Pix. Para as demais instituições autorizadas pelo Banco Central é voluntária. Empresas sem autorização só acessam dados por meio de contratos de parceria com participantes, que ficaram mais rígidos em 2026.

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